Atualmente vários processos de construção podem ser aplicados na construção naval, não existe um processo especifico, tudo depende da aplicação desejada, da disponibilidade de recursos e habilidade do construtor, uma região pode determinar qual o processo que melhor convém e determinar qual a melhor forma de construir.
Certamente o interessado na construção terá a palavra final, não existe um processo melhor ou pior, a qualidade do trabalho empregado é que determina o que é melhor.
O casco de uma embarcação pode ser de vários formatos, independente do processo de construção e materiais empregados os mais conhecidos são:
Em V
Redondo em forma de U
Multichine
Os barcos construídos com formato V é o modo mais fácil de se conseguir o casco de uma embarcação. Por terem as costadas somente com uma curva em cada plano, suas cavernas e anteparos são cortados em retas e facilita a confecção do cavername ou anteparos e sua forração. Os painéis de compensado é a maneira mais prática para forrar este tipo de embarcação e quando se trata de uma embarcação miúda é o material mais indicado para trabalhar.
Em embarcações maiores, a forração das costadas provavelmente será indicado um outro tipo de forração e que poderá ser em tábuas fasquiadas, sobreposição de lâminas em diagonal ou longitudinal e também tábuas assentadas sobre mata juntas internas.
A vedação é um item muito importante na seleção do processo. Os painéis em compensado ganham um destaque muito importante nesta parte, podem ser em partes maiores e diminui em muito as chances de haver infiltração a bordo.
As embarcações feitas em compensado é possível o revestimento das costadas em fibra de vidro, impregnadas com resina é o processo "playglass". É um processo que depende de materiais específicos para que se tenha uma boa qualidade, a impregnação sobre madeiras com resina poliéster, seja em compensado ou qualquer outro tipo, não oferece um serviço de boa qualidade, é necessário uma intermediação com resina epóxi aplicada diretamente na madeira antes de iniciar o laminado em poliéster.
A forração com tábuas fasquiadas é o mais resistente, mas implica em calafetos e para conseguir uma boa vedação, somente um profissional experiente; teria condições de uma boa qualidade.
Atualmente com o emprego da resina epóxi este processo pode
perfeitamente ser aplicado por um amador e obter excelente resultado, é necessário somente algumas
observações:
As tábuas do forro não devem ser largas, um máximo de 5 vezes a sua espessura.
As madeiras devem estar rigorosamente secas.
Deve haver entre as tábuas um pequena abertura com um máximo de 3 milímetros e profundidade não superior a
meia espessura.
Esta abertura (entrada de calafeto) será preenchida com massa de epóxi.
Toda superfície interna e externa será impermeabilizada com resina epóxi.
A parte interna das fendas deve ser preenchida com resina epóxi.
A sobreposição de lâminas, ou simplesmente laminado, sem dúvidas é o processo mais eficiente, porém mais trabalhoso e de custo maior. Dispondo de lâminas em camadas sobrepostas e tendo seus veios em perpendicular entre uma camada e outra, a madeira formará um painel extremamente resistente e totalmente impermeável, e o acabamento deste trabalho quando envernizado formará um magnífico mosaico.
É um processo de forração de casco em ripas de pouca largura em relação a espessura, permitindo que se curvem ao longo do costado sem muito esforço e não precisam de fasquias ou modelos para sua composição, as madeiras são cortadas alinhadas onde se consegue uma significativa economia no consumo. A união entre uma e outra antes feito com um lado côncavo e outro convexo permitia a vedação entre as ripas ou "strips", hoje com epóxi podemos perfeitamente aderir uma e outra com uma simples aplicação de massa com resina epóxi, este é o calafeto deste sistema. Uma garantia maior ocorre com a aplicação de manta ou tecido de fibra de vidro.
O formato multichine é idêntico ao formato em V porém ao invés de ter uma quina em cada bordo, o multichine é feito com mais de uma quina por bordo.
Normalmente este processo de construção é feito com anteparos e o uso de madeira compensada é vastamente usado, e sempre usando a impregnação em fibra de vidro na maioria dos painéis. Os painéis das costadas são unidos por costura, ou sarrafo longitudinal.
A maioria dos projetos deste processo é feita com anteparos no interior que ajudam a montar e armar o casco do barco.
A embarcação com casco redondo é mais indicada para navegação em mar aberto, são mais estáveis e tem um desenvolvimento melhor por sua hidrodinâmica.
Tem um custo maior para mão de obra, e um consumo menor em materiais, resultando um casco mais leve e de maior resistência.Em um casco redondo, jamais poderemos usar compensado para forração, este tipo de casco deverá ser forrado com tábuas fasquiadas, laminado e até mesmo o "strip planking", dependendo do tipo de forração indicado, será determinado a espécie de cavername para a estrutura. As cavernas podem ser modeladas quando cortadas da madeira com seu perfil, ou moldadas quando dobradas sobre armadoras para adquirir o perfil.
Ao meu ver, a construção de um barco sempre se levou em conta o conceito de que tudo que nele se faz dever ser em algum momento desfeito, para uma manutenção, reparo ou até mesmo a substituição de alguma peça danificada, nada é para sempre.
Considerando esta hipótese, trabalhamos sempre prevendo que de alguma forma poderemos em algum momento por algum motivo interferir e até mesmo modificar à estrutura de um casco, entre arrancar um prego e tirar um parafuso é sempre mais fácil desparafusar. Um casco armado em painéis com anteparos transversais é muito trabalhoso e um custo muito alto em mão de obra para um reparo, em certos casos o casco poderá até ser condenado, o anteparo faz parte da estrutura poderá até ser removido em partes, mas será que podermos colocar outro inteiro mo mesmo lugar tal como era o original?
E se após algum tempo de uso concluímos que podemos ter um espaço maior no seu interior, o qual está limitado por um destes anteparos certamente haverá um grande trabalho a ser realizado.
A vantagem de se construir um casco com anteparos ao invés de cavernas é muito prática seduz a ansiedade de qualquer construtor, mas nada poderá ser alterado durante sua vida útil, já o casco com cavernas poderá perfeitamente ser modificado de alguma forma, aumentar um espaço, mudar a posição de um anteparo sem grandes complicações.
O casco com cavernas é uma construção mais robusta, indicada para embarcações de serviço e naturalmente de vida mais longa o que pode ocorrer também para uma embarcação de esporte e recreio principalmente quando aplicada no turismo.
Entre construir um casco com cavernas e e outro com anteparos, é uma decisão individual, cabe ao construtor optar por sua necessidade.