Para Construtores Amadores e Nautimodelistas
No primeiro barco, o Primo, tivemos uma noção de como um painel se comporta ao curvar, adquirindo resistência pela curva e também podemos ver estes painéis do costado quando inclinado lateralmente força o corpo a formar uma curva no sentido longitudinal mesmo que o painel tenha um corte reto, a inclinação lateral dos costados foi projetada para que esta curva fosse possível, que alem de aumentar a resistência do corpo, proporciona uma facilidade melhor para navegar.
Porém a chalupa difere um pouco destes conceitos , neste modelo aprenderemos como aplicar cavernas em um barco , como também diversificar o tipo de forração em um formato curvo, o Primo tem as costadas e o fundo formados em painéis curvados em um plano, na Chalupa faremos somente o costado em painéis de único plano e não será cortado com uma reta, será moldado ou melhor fasquiado no costado mantendo a curva projetada, no fundo será aplicado uma pequena curva em arco no sentido transversal formando uma curva composta, ou seja o painel do fundo é formado por duas curvas uma no sentido longitudinal que é dado pelo perfil da quina e quilha, e outra na transversal formada pela parte inferior do corpo da caverna, é uma curva composta, e a forração será em madeira laminada aplicada sobre cavernas. Dobrar uma chapa de compensado em duas curvas simultâneas é impossível. Experimente fazer isto com uma folha de papel, o comportamento é o mesmo.
Este barco tem um custo maior para materiais e também tempo de execução, o ideal seria distribuir o custo em um pequeno grupo de amigos, com a finalidade de dividir as despesas e somar conhecimentos, de quebra ao final dos trabalhos, haverá um barco onde possivelmente poderá servir para uma boa distração em um final de semana.
Agradeço se você entrar em contato quando começar a construir o barco, vez ou outra costumo cobrar fotos da construção, é uma compensação pelo trabalho e uma maneira de poder aperfeiçoá-lo, e ajudar outras pessoas.
O primeiro layout que vamos estudar é o plano de linhas, ele está impresso em formato *.pdf em escala definida para 1:10, para ter o tamanho certo do impresso na respectiva escala, deverá ser impresso em uma plotadora, na sua impressora local com a configuração de 100% sem alterar a escala do desenho você poderá imprimir partes do desenho que limitam ao tamanho do papel usado. (Plano de Linhas)
O plano de linhas em um projeto de barco é a peça mais importante, ele nos dá o formato do casco com todas as dimensões necessárias para sua construção e com alguns cálculos podemos extrair o peso que pode suportar e sua estabilidade, mas não vamos nos aprofundar neste campo nosso objetivo é construí-lo.
O desenho representa um corpo em três vistas, o Perfil ou vista lateral, o Horizontal para que de cima olha, e o plano transversal ou vista frontal. ele está secionado por vários cortes e cada linha representa o contorno. Pressupondo que uma embarcação tem os dois lados iguais, representamos sempre um único lado, para uma melhor distribuição no plano transversal por um lado demonstramos as seções de proa e pelo outro as de popa.
Neste plano temos três linhas principais, borda, quina, e quilha, como podemos notar elas representam curvas compostas demonstrando curvaturas nas três representações, exceto a quilha que por estar no centro longitudinal sua vista tanto na horizontal como na frontal é uma reta.
No plano de seções ou transversal, vemos os cortes secionais com retas nas costadas e uma curvatura no fundo da embarcação dando seu formato característico.
Em um plano de linhas não se representam cavernas e sim seções, cavernas são peças estruturais e seções são cortes que representam seus limites. Em uma embarcação pequena, como neste caso, as cavernas coincidem com as seções é uma forma de facilitar o trabalho, porém nem todas as embarcações projetadas tem as seções coincidentes com as cavernas, as cavernas serão representadas em um plano de formas.
Agora que temos uma proximidade maior com as linhas, traçaremos um plano de onde vamos extrair os modelos para riscar as peças da estrutura. É o plano de formas. Ele está impresso em três layout, mas não há necessidade de imprimir os três, o primeiro mostra somente as cavernas de proa, a roda de proa e o coral de proa, o segundo as cavernas de popa e o coral do espelho, no terceiro mostra todas as cavernas de proa em meia vista e as de popa também no lado oposto, temos também os corais proa e popa e a roda de proa, este é o mais indicado para plotar na escala de 1:1 em uma plotadora.
Neste projeto, onde as cavernas coincidem com as seções do plano de linhas, nos usaremos para fazer os modelos das cavernas. Muitas pessoas acham que copiar as linhas com carbono diretamente para a madeira é a forma certa, é um engano, a textura da madeira pode danificar o papel, a cópia pode ficar em uma posição inadequada não aproveitando o sentido da madeira, isso desperdiça tempo e seu desenho certamente será rasurado.
O ideal é fazer todos estes moldes em compensado, neste caso podemos usar o de 4 milímetros, além de riscar as madeiras, poderemos comparar com a peça pronta e corrigir um erro que possa ocorrer. Este é o procedimento correto.
Embora já se tenha o plano de formas no papel devemos transpassar para um tablado de madeira, usaremos uma chapa de compensado de 15 milímetros, como este material será necessário na construção para as bancadas e o espelho de popa, podemos usar sem acréscimos de custos, pois após o uso como tablado, poderá ser usado à sua real finalidade.

Precisaremos fazer somente o modelo da roda de proa, os braços de cavernas são retos, e a parte do fundo no corpo da caverna é um arco perfeito onde temos o raio e será por esta informação que faremos o corpo de cada caverna. usaremos uma régua ou sarrafo que tenha comprimento pouco maior que o maior raio, marcando o comprimento do raio e fixado em um ponto firme com prego apontado e traçaremos o arco desejado, é um compasso improvisado, riscando a parte externa e a parte interna.
O corpo da caverna é dividido no meio, há uma emenda no ponto da quilha, é a astilha, portanto deve ser riscado em duas metades uma para cada bordo.
Para os braços de cavernas faremos dois modelos, um para marcar as cavernas de proa e outro para as de ré. São iguais, mas desta forma teremos uma melhor distribuição evitando uma concentração de marcas próximas.
O compensado de 4 milímetros é o mais indicado para este modelo, ele terá somente uma marca na parte superior, e será a marca da borda falsa para todas as cavernas, na parte inferior trace a linha correspondente ao corpo da caverna, marque os estaremos e use o corpo da caverna já cortado e acabado para riscar o arco.
É muito importante que estes modelos estejam marcados em ambas as faces com os traços no mesmo sentido, e
saberemos por definição que todas estas peças, sejam de proa ou popa, de um bordo e outro terão ângulo negativo
e serão marcadas em pares, um po
r
uma face e o outro pela face oposta do modelo, formando assim um par de peças com vista espelhada, uma para
cada bordo.
Ao cortar a caverna lembre-se que na parte interna o ângulo será positivo. para ter concordância com a parte
externa, portanto corte com acréscimo de madeira para poder aplicar este ângulo pela parte interna.

Após o corte, aplicaremos os ângulos correspondente de cada caverna, é o que chamamos de sutamento, nome dado em função do uso da suta.
Traçaremos em um plano uma reta horizontal, dado um ponto desta reta a uma distância equivalente a duas cavernas
(80 centímetros) será definida uma perpendicular e será marcado na sua altura a distância entre a caverna anterior
e a caverna posterior do ponto em questão, esta distância deve ser tomada perpendicular a linha do ponto desejado.
Passaremos estes ângulos par um gabarito, simplesmente posicionado sobre a linha
apoiado
por um ponto firme em um prego apontado na extremidade oposta.
Faremos este sutamento somente na parte do costado em dois pontos para cada braço, um na quina e outro na borda falsa.
Na parte do fundo podemos também aplicar este sutamento, mas ele será de forma invertida e o ângulo de corte é positivo, logo o corte deve ter acréscimo para que possa ser aplicado, e esta será a face desta peça.
Para fazer o sutamento na caverna, marcaremos todos os ângulos em um gabarito, usaremos uma plaina manual com a peça pressa em uma morsa, desbastaremos usando uma suta para conferir cada ângulo da peça. Somente após o sutamento é que deveremos montar as cavernas.
A astilha que une o corpo da caverna de um bordo com o outro o sutamento é inexpressível e poderá ser ajustado no local após a montagem sem dificuldade.
A montagem das peças das cavernas inicia pela união do braço com o corpo da caverna, sempre unindo face do braço contra a face do corpo, as linhas de posicionamento que deverão estarem marcadas devem ser respeitadas e conferidas no plano de formas, a astilha será então a união entre as duas partes da caverna. Não use cola, use parafusos mecânicos (1/4), esta montagem não tem um efeito definitivo, após a armação das cavernas na quilha será feito um alinhamento com armadoras e as cavernas serão fixadas em definitivo com cola.
O conjunto da quilha de barco é formado por seis peças:
Somente será necessário a modelagem da roda de proa para a outras peças, dado a simplicidade podemos fazer sem modelos.
No desenho da roda de proa há uma linha pontilhada, que de certa forma não coincide com o perfil externo da peça, nos a chamamos de alifriz é o encontro do forro do casco com a quilha, dela a madeira será desbastada até o centro da peça pela parte de vante onde se formará uma face inclinada coincidente com a inclinação do forro do costado e o fundo, esta diferença que tem com o perfil nos dá os diferentes ângulos para o assentamento do forro.
Este modelo deve ser feito com vista nas duas faces, assim podemos marcar de um lado e outro uma vez que na roda de proa trabalharemos pelas duas faces.
Para o coral de proa e popa basta o ângulo de caimento o perfil é simples e pode ser definido na própria madeira, o complemento da quilha na proa tem o mesmo critério.
A quilha e sobre quilha são dois sarrafos de 8 X 2 centímetros alinhados, aparelhados e principalmente sem empenos. todas as cavernas nestas peça são entalhadas com em um rebaixo de 0,5 centímetros e devem ser feitos antes da armação.
O primeiro passo para a armação do cavername é providenciar o picadeiro, são dois cavaletes simples com uma sapata na parte superior para apoio da sobrequilha.

Devem ser armados com sarrafos no sentido longitudinal dois no sentido horizontal na parte inferior, um de cada lado e dois no sentido vertical em forma de cruz para travar e evitar balaço.

Dois pontaletes auxiliam o alinhamento uma à proa apoiando a roda de proa e outro na popa sustentando o espelho.
Este conjunto deve ficar rigorosamente nivelado e aprumado, o alinhamento deve ser conferido com uma linha esticada lateralmente à sobrequilha em toda sua extensão.
Neste ponto todas as cavernas cevem estar montadas prontas para tomar posição no conjunto, as cavernas 5 e 6 serão as primeiras. e serão posicionadas de forma invertidas, você pode notar este detalhe no plano estrutural.
Estas cavernas devem ser travadas entre um bordo e outro com uma travessa de um bordo a outro, na altura da borda falsa imobilizando qualquer movimento no sentido transversal e apoiada de contra o piso com um pontalete niveladas com uma régua apontada na marca da borda, estas cavernas não podem ter nenhum movimento.
Todas as outras cavernas devem ser posicionadas e então a quilha será colocada por cima, prensando as cavernas de contra a sobre quilha.
Uma fiada de armadoras devem ser apontadas em todo comprimento pela parte do costado desde a roda de proa até o espelho na popa, as duas primeiras cavernas também devem ser travadas no sentido transversal, elas tendem a fechar e espirram no sentido da proa para popa alterando as medidas originais do casco.
Outra fiada de armadora deve ser aplicada no fundo.
Essas armadoras são apontadas com pregos e a medida em que vão se posicionando puxam as cavernas ao seu alinhamento, este é o motivo de que quando na montagem não foram fixadas definitivamente, após o alinhamento da cavernas, soltaremos os para fusos para então colar e parafusar definitivamente na sua posição, mas por uma questão de desempenho, rebaixaremos o encaixe para o sarrafo de canto na quina
Para fixar o
sarrafo de canto (1,5 X 4 cm), primeiramente faremos com grampos C, sob sua verdadeira posição e então com um
serrote de costas cortaremos o encaixe até sua profundidade, um pedaço deste sarrafo poderá servir de gabarito
para medir e marcar o quanto cortar. A seguir faça o corte pela parte do fundo observando o sutamento
necessário.
Para ter uma melhor firmeza para este trabalho um sarrafo deve ser apontado sobre os braços das cavernas desde a proa até a popa, mantendo as cavernas firmes em sua posição, pode e o próprio sarrafo de canto.
A fixação deve ser com parafuso e cola, e nesta hora todas as união das peças das cavernas devem ser fixadas definitivamente, mas uma por vez, solte a peça removendo o prego apontado da armadora, passe a cola e parafuse novamente, a armadora deve ser fixada também e só será removida após a colagem de todo cavername.
Na borda falsa também haverá um reforço com sarrafo porém para que se torne mais simples a construção este sarrafo da borda será aplicado por cima do compensado pela parte externa, basta que o compensado quando aplicado seja um pouco maior que o necessário isto facilitara um realinhamento da borda no futuro.
Com os sarrafos de canto assentado o compensado do costado pode ser ajustado, o compensado ideal é o de 6 mm de espessura. A emenda poderá ser feita no centro à meia nau entre um dos vãos de caverna, usando parte do mesmo compensado reforçando pela parte interna. Esta emenda deve ser fixada com parafusos mecânicos (3/16) com arruela por dentro e por fora, e resina para colagem, após a cura da resina os parafusos serão removidos e os furos selado com massa epóxi.
Após o assentamento do costado a quina deve ser planada faceando tanto o sarrafo como o topo do compensado coincidindo com a a face do fundo, na proa próximo as duas primeiras cavernas, o forro de compensado deve ficar somente até a metade do sarrafo de canto, na outra metade será fixado o forro do fundo.
Toda parte do fundo deverá ser conferida com uma régua, para manter o alinhamento das cavernas que devem ser planadas para receber a forração.
Como o fundo tem duas curvas simultâneas, uma ao longo da quilha e outra correspondente as cavernas, jamais poderá ser forrado com compensado é uma curva composta e um plano não podemos curvar em dois sentidos simultaneamente, portanto este fundo nos vamos forrá-lo com ripas

Estas ripas deverão ter um máximo de 7 centímetros de largura por 8 milímetros de espessura e se o comprimento for igual ao comprimento do fundo terá um aproveitamento melhor uma vez que o comprimento não é relativamente grande.
Para obter estas ripas devemos necessariamente ter uma serra circular de bancada ou uma tupia para usar um disco de serra suficiente a alcançar a largura das ripas.
Podemos adquirir cedro em pranchas de 4 centímetros de espessura e a partir destas peças, nos a cortaremos sarrafos com 7 centímetros alinhados e desempenados, e então poderemos usar o disco de serra com uma paralela regulada com 8 milímetros e desfiar as madeiras. Um disco comum com pouca trava será ideal, discos de vídia são muito eficientes porém ao cortar desperdiça muita madeira dado a espessura do corte. Outra opção é fazer estas ripas de lambril, tirando os perfis de encaixe. O canto deve ser rebatido de forma a ficar uma abertura pela parte externa.
A ripas devem ser assentadas com resina na caverna como adesivo, mas não deve ser colado entre uma e outra. Após a conclusão de todo trabalho, estas fendas serão preenchidas com massa epóxi.
Todo fundo deve ser aparelhado com lixa e plainado se necessário evitando alturas diferentes entre as ripas. A quilha externa deve ser então assentada com parafusos e cola, assim como também a arremate da roda de proa.
Os cantos da quina e espelho devem ser rebatidos e que fiquem ligeiramente arredondados e facilitar a laminação do reforço de fibra de vidro, deve ser um tecido de 450 gr/m².
Após a laminação e o acabamento, o casco pode ser desvirado.
A borda falsa deve ser conferida o alinhamento e aplicado o bordão externo parafusado nas cavernas e entre as cavernas de dentro para fora com parafuso curto com comprimento máximo de 15 milímetros.
Aplique o bordão interno, a parte de proa deve ser fasquiada de forma a obter a curvatura certa para o assentamento da peça, a seguir ajustes os vaus com uma media e o convés poderá ser aplicado junto com o acabamento da borda.
Os paneiros devem ter travessas de um bordo ao outro e são parafusados lateralmente ao corpo da caverna e forrado com compensado de 10 milímetros. Deve ser em partes para uma possível remoção para inspeção no fundo.