A turma do Chápeu

Foi lá pelos anos cincoenta quando ainda menino tropeçava nas madeiras do estaleiro e via o trabalho dos carpinteiros, serrando pregando e montando os barcos para cabotagem, não eram pequenos alguns passavam dos 30 metros de comprimento, afinal madeira ainda era farta e chegava em toras.

Na serraria parte lá do nosso estaleiro as toras eram cortadas de acordo com o que seria necessário, não havia desperdíco tudo era aproveitado, até as costaneiras seriam usadas para calços e soleiras.

As ferramentas se comparadas com as atuais é covardia, uma plaina manual com o sepo de madeira,  funcionava a golpes de mão hoje basta apertar um botão.

Todas as cavernas eram cortadas com sincronia, na montagem não havia ajustes tanto nas curvas do perfil como no ângulo de assentamento, não havia um processo CAD para dizer ao carpinteiro qual o formato da curva, os modelos eram feitos de desenhos traçados  sobre tablados de madeira em tamanho natural.

Posso lhe garantir que naqueles tempos um diplona do curso primário valia quase que um doutorado e poucos eram os que completavam o terceiro ano, os carpinteiros começavam a trabalhar ainda meninos somente para aprender, salário era uma gorjeta que eventualmente recebiam no final de semana.

Com mais uma decada agora nos anos sesenta uma verdadeira revolução começou, não estou me referindo aos militares, com o desenvolvimento da pesca haviam nos estaleiros de toda região uma grande demanda, os armadores não se preocupavam com o quanto mas exatamente com o quando, embarcação estivada não gera receita.

Sandi I

As embarcações de recreio também começaram a ter uma procura maior, uma grande empresa do Rio de Janeiro, hoje praticamente extinta fabricava pequenas lanchas que só então eram as “CrisCraft” americanas que lideravam o mercado, aos poucos começaram a serem substituidas.

Pequenos estaleiros também iniciaram algumas construções para esporte recreio, fizemos algumas também, eram embarcações estremamente fortes e os motores eram imensos não tinham o desempenho como os atuais a maioria destas embarcações eram de deslocamento e dificilmente uma chegava a planar, um motor de 180 hp na época chegava perto de uma tonelada.  Nesta época tivemos uma grande perda meu pai nos dixou, e ficamos a deriva por algum tempo eu ainda era um adolecente.

Nos anos setenta surge então o compensado naval e eram de boa qualidade, embora o vício profissional abominava o uso desse tipo de material, muitas embarcações de esporte recreio já eram feitas a um custo menor, até mesmo veleiros de pequeno porte eram construidos.

As grandes embarações para pesca iniciaram então pelo final da decada o início de recaída, a madeira entrou em um processo de escassez, as serraias começaram a fechar por falta de matéria prima e o custo começa a subir.

Como a fibra de vidro já fazia parte do mercado, muitos entram no sistema contrutivo em laminados de poliester, o grande problema era fazer o molde, e quando feito só fazia aquele modelo, se o mecado aceitasse bom, caso contrário o prejuizo era imenso.

As embarcações pequenas feitas em madeira faziam sucesso, era um custo mais atrativo, embora com a mão de obra mais escassa nessa época, as ferramentas ja eram bem mais eficientes, eu ainda tenho algumas que preservei foram adquiridas nesse tempo e funcionam perfeitamente.

Pesqueiro de 15 metros

Este pesqueiro foi construido no início na decada de 80, com 15 metros de comprimento podia embarcar até 20 toneladas de pescado mais gelo.  Foi um dos ultimos a ser construido neste estaleiro que terminou suas atividades em 85, a nossa economia dava indicios de inflação incontrolada e poucos foram os que sobreviveam economicamente.

A partir de então meu espaço funcional limitou-se ao quintal de casa trabalhando com   embarcações miúdas, lanchas, chatinhas, pequenos botes, etc.

Nos anos 90 houve então o surgimento da informática de uma forma mais concreta, um projeto digital ja poderia ser criado nas não divulgado, a internet era um ambiente de acesso restrito, conecção somente discada.

Com a popularização da banda larga no inicio deste século  um site ja poderia entrar na rede, com alguma dificuldade e pouco conhecimento um site foi montado em um espaço gratuíto fornecido pela Yahoo, um domíno próprio era um custo altíssimo e hospedagem própria nem pensar. Hoje mudou e melhorou muinto, exeto os “spamers”. A praga da internet.